Eleições 2026

Lula coloca petistas do Nordeste no comando da campanha para tentar virada no 2º turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu reforçar a coordenação nacional da campanha com três nomes do Nordeste na tentativa de reverter o resultado do primeiro turno, em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminou à frente.

Passam a integrar o comando o senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará, como coordenador político; o senador eleito Rui Costa (PT-BA), ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, na coordenação de agenda; e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT-PI), à frente da comunicação.

A escolha está ligada à estratégia de ampliar a votação no Nordeste, região apontada internamente como a de maior potencial de crescimento para Lula e onde o presidente teve desempenho inferior ao de 2022 em vários estados. Os três participam de reuniões diárias com Lula desde segunda-feira (5).

Segundo integrantes da cúpula, não haverá saída de membros. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, permanece como coordenador-geral, mas passa a dividir as decisões com os novos coordenadores.

As mudanças ocorrem em meio a críticas internas. Edinho tem sido questionado por centralizar decisões e insistir na defesa do “legado” do governo, em um momento de avaliação negativa. O ministro da Secom, Sidônio Palmeira, também é alvo de críticas por focar a campanha em temas como soberania e terras raras, em vez de pautas ligadas ao cotidiano do eleitor.

Sidônio, que não integra formalmente a campanha, faz parte do núcleo dirigente que auxilia Lula ao lado de Edinho, do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), e do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. Ele também é sócio de Raul Rabello, marqueteiro da campanha.

Em reunião do partido, a ex-senadora Kátia Abreu criticou o protagonismo da primeira-dama Janja da Silva e defendeu maior participação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na cúpula.

A campanha também muda a estratégia digital. Nesta quarta-feira (7), Lula se reuniu com influenciadores e parlamentares recém-eleitos com forte presença nas redes, que passarão a atuar em uma sala montada no QG da campanha no Lago Sul, em Brasília. O presidente, que afirma não gostar de celular e selfies, tem gravado vídeos nesse formato e enviado áudios a apoiadores.

Na linha de discurso, Lula tem adotado um tom mais duro ao tratar de segurança pública e da crise no Supremo Tribunal Federal (STF).

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