Calados!

PT cearense fica mudo diante da artilharia de Ivo Gomes contra Elmano e Camilo

Após uma semana de ataques pesados do ex-prefeito de Sobral Ivo Gomes contra Elmano e Camilo, a cúpula petista mantém um silêncio que intriga aliados e adversários

O cenário político do Ceará, costumeiramente efervescente, vive um contraste desconcertante nos últimos dias. De um lado, o ex-prefeito de Sobral, Ivo Gomes, em uma maratona de entrevistas por rádios da região Norte, disparou críticas ferozes contra o governador Elmano de Freitas e o ministro da Educação, Camilo Santana. Do outro, um silêncio sepulcral domina as principais lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) no estado.
Em tom de desabafo e defesa do irmão Ciro Gomes, o ex-prefeito acusou Camilo Santana de tentar “destruir” o senador Cid Gomes. O que parecia ser um ataque isolado revelou-se uma ofensiva de “caso pensado”, expondo mágoas e rancores acumulados ao longo dos últimos 12 anos de alianças e rupturas no estado.

O que mais chama a atenção de analistas e militantes não é apenas a agressividade de Ivo, mas a falta de reação das “tropas de choque” petistas. Onde estão os defensores ferrenhos do governo?
O deputado estadual, De Assis Diniz, conhecido pela oratória impetuosa na Assembleia Legislativa e presença constante nas redes sociais, permanece em silêncio absoluto.
Guilherme Sampaio, líder do governo Elmano na Alece, habitualmente articulado, não se pronunciou sobre as declarações vindas de Sobral.
O presidente estadual da sigla, Antônio Carlos (Gonin) não emitiu sequer uma nota oficial em defesa dos quadros do partido. Além do comandante municipal, Antônio Carlos.
A lista de ausências se estende a nomes de peso como, a estreante petista, deputada Larissa Gaspar, Luizianne Lins, José Airton e o líder do governo na Câmara, José Guimarães. Até mesmo a senadora Augusta Brito e os novos filiados, egressos de outras legendas sob a sombra do poder petista, parecem ter perdido a voz.

A inércia da cúpula petista levanta questionamentos: trata-se de uma estratégia de “gelo” para não dar palanque a Ivo Gomes, ou o partido está verdadeiramente atônito diante da exposição de feridas internas da política cearense?
Ao dizer que o objetivo de Camilo é aniquilar politicamente Cid Gomes, Ivo tocou em um ponto sensível da transição de poder no Ceará. Enquanto o PT não responde, o vácuo de narrativa permite que as palavras do ex-prefeito ecoem sem contraponto, deixando a militância desorientada e os adversários confortáveis.
Se o silêncio é tático ou fruto de um impasse emocional entre antigos aliados, as próximas movimentações na Assembleia Legislativa dirão. Por ora, no tabuleiro político do Ceará, o grito de Sobral só encontra eco no mutismo de Fortaleza.

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