O cenário político de São Gonçalo do Amarante vive um novo momento de turbulência após o prefeito Professor Marcelão (PT) anunciar, na última sexta-feira (10/07), a pré-candidatura de sua esposa, Geórgia do Marcelão, à Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. O anúncio, feito durante evento no sítio do Anderson Veras, na localidade de Siupé, sinaliza o rompimento do prefeito com o deputado estadual Júlio César (PT), a quem Marcelão havia prometido apoio em 2026.
A trajetória de Professor Marcelão tem sido marcada por mudanças estratégicas de posicionamento. Eleito em 2020 com o apoio do grupo liderado pelo ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil) e os bolsonaristas no município.
O gestor realizou uma transiçãpolítica completa durante seu mandato. Ao migrar para o Partido dos Trabalhadores (PT) e declarar apoio ao presidente Lula, Marcelão contou com a articulação direta do deputado Júlio César, que foi peça-chave na sua inserção na base governista estadual.
A expectativa do grupo político local era de que o apoio fosse recíproco, com o prefeito garantindo suporte à reeleição de Julinho. Contudo, a decisão de lançar a primeira-dama alterou o planejamento do grupo petista na região.
A manobra política gerou reações imediatas. A mudança de postura causou estranhamento dentro da base aliada, que questiona a quebra de compromissos previamente estabelecidos com o parlamentar.
Críticos da gestão municipal apontam que a decisão não foi uma surpresa, classificando-a como coerente com o histórico do prefeito, a quem acusam de não manter acordos políticos.
Opositores também resgataram declarações passadas de Marcelão, que, no início de sua campanha para a prefeitura, posicionou-se publicamente contra a prática do nepotismo.
Até o momento, o deputado Júlio César não se manifestou oficialmente sobre a decisão do prefeito de abandonar seu projeto de reeleição em prol da candidatura da primeira-dama.
A movimentação coloca o grupo político de Marcelão em uma posição de isolamento dentro de parte de seu eleitorado e promete intensificar o debate político nos próximos meses, à medida que a corrida eleitoral se aproxima das convenções partidárias.









