As ruas do Centro amanheceram em movimento neste domingo, 22, com a primeira edição do Circuito Bora Correr. A etapa Inclusão reuniu atletas, paraatletas, iniciantes e crianças em uma experiência que vai além da corrida. O evento marca o início de uma programação especial em comemoração aos 300 anos da Câmara de Fortaleza.
A largada aconteceu ainda nas primeiras horas da manhã, às 5h30, no Parque da Liberdade (Cidade da Criança) e contou com percursos de 3 km (caminhada), 5 km e 10 km. Já o percurso de 1,5 km, voltado às pessoas com deficiência (PcD) teve largada às 7h. Às 7h30 foi a vez do público infantil.
Todo o valor arrecadado das inscrições será destinado a instituições que desenvolvem trabalhos sociais em Fortaleza, fortalecendo o compromisso social do evento. São elas: Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), Rede de Mulheres Empreendedoras Sustentáveis (REMES), Casa da Vovó Dedé, Abrigo São Lázaro e Lar Amigos de Jesus.
À frente da iniciativa, o presidente da Câmara, vereador Leo Couto (PSB), destacou o caráter histórico e o alcance da ação. “É um momento muito significativo, em que Fortaleza se consolida como uma cidade do esporte no Brasil. Estamos celebrando os 300 anos da Câmara com saúde e com as pessoas ocupando o Centro. Hoje, vemos uma multidão reunida, em um domingo, vivendo a cidade de forma coletiva”, afirmou.
A escolha da inclusão como tema da primeira etapa, segundo ele, traduz o o compromisso da gestão com a área. “Essa é a primeira de três corridas que marcam esse momento histórico. Começamos pela inclusão, que é o pilar central do nosso trabalho ao longo deste pouco mais de um ano à frente do Legislativo. E hoje, temos orgulho de dizer que somos uma das Câmaras mais inclusivas do Brasil, temos um Núcleo de Inclusão, o Espaço Evoluir voltado para crianças com autismo e síndrome de Down, e uma série de ações que fortalecem esse compromisso. ”, destacou.
Centro como símbolo e retomada
A escolha do Centro para abrir o circuito também carrega significado histórico e estratégico. O diretor da Câmara, Emanuel Ângelo, reforçou que o evento dialoga com o processo de reocupação e valorização da região, onde funcionará a nova sede do Legislativo.
“A Câmara está comemorando seus 300 anos, e esse evento não poderia acontecer em outro lugar que não o Centro, o berço da cidade e para onde estamos retornando com a nova sede. É aqui onde tudo começou. E trazer uma ação como essa para o bairro é valorizar a nossa história e aproximar ainda mais a população do Legislativo”, aponta Emanuel.
Se a proposta da corrida é inclusão, ela ganhou rosto e significado no percurso. O paraatleta Elione Sousa, de 43 anos, transformou a própria história em exemplo de superação. Formado em Educação Física, ele conta que teve a vida transformada após um acidente de trânsito, em 2010 e que foi no esporte que encontrou um novo caminho. “O esporte foi o que me trouxe de volta para a sociedade. Hoje, com a deficiência, eu me sinto mais forte justamente por causa dessa prática”, relatou.
Correndo com o auxílio de muletas, Elione destaca o caráter democrático da corrida de rua e a força do incentivo coletivo durante o percurso. “É o esporte mais democrático que a gente tem. Motiva muito. Quando a gente passa pelas pessoas, recebe aquele incentivo de não parar. Isso faz toda a diferença”, disse. Para ele, mais do que desempenho, o valor está na experiência compartilhada. “Essa socialização faz com que a gente se sinta mais vivo, mais útil. Vale muito a pena estar aqui”, completou.









