O Hospital Distrital Evandro Ayres de Moura, mais conhecido como Frotinha do Antônio Bezerra, em Fortaleza, tornou-se alvo de graves denúncias por parte de pacientes e acompanhantes. Relatos colhidos no local descrevem um ambiente de caos, marcado por superlotação, demora excessiva em procedimentos médicos e a escassez de insumos básicos.
Cenário de abandono
Quem busca atendimento na unidade encontra um cenário alarmante. Pacientes estão sendo acomodados em corredores, muitos em macas, por períodos que podem chegar a vários dias. A situação se agrava pela proximidade inadequada entre os pacientes e o posto de enfermagem, onde macas são improvisadas em locais de trânsito dos profissionais.
A infraestrutura, que já sofre com o desgaste, apresenta infiltrações e o acúmulo de entulhos decorrentes de uma reforma em curso no prédio. Denúncias apontam para a presença de lixo hospitalar espalhado pelos corredores, incluindo lixeiras com resíduos contaminados — como gases ensanguentadas — misturadas a restos de alimentos, colocando em risco a saúde de quem aguarda por atendimento.
O sofrimento de pacientes e familiares
Para os acompanhantes, a jornada de espera é exaustiva. Sem o suporte de leitos adequados, muitos são obrigados a dormir em cadeiras de plástico enquanto aguardam notícias de seus familiares. “A sensação é de total descaso. O paciente chega precisando de cuidado e acaba enfrentando um ambiente insalubre que, muitas vezes, piora o quadro clínico”, desabafou um acompanhante, que preferiu não se identificar.
Além dos problemas de higiene, a convivência com as obras gera transtornos adicionais: operários transitam livremente pelos espaços de atendimento, quebrando a privacidade e aumentando a insegurança sanitária dentro da ala hospitalar.
O impasse da reforma
Servidores do hospital, que também relatam conviver com a sobrecarga de trabalho e a precarização das condições de atuação, reconhecem que a reforma é o principal fator para o caos atual. Contudo, há uma divergência interna sobre a condução dos serviços.
Enquanto alguns funcionários tentam contornar as limitações, outros defendem que a manutenção do atendimento durante a obra é insustentável. Segundo esses profissionais, o prédio deveria ter sido totalmente desativado durante o período de intervenção, com o remanejamento dos pacientes para outras unidades da rede municipal ou estadual de saúde, garantindo a dignidade e a segurança do tratamento.









