Eleições 2026

Eduardo Girão critica aliança de parte da direita cearense com Ciro Gomes: “Criando uma cobra para 2030”

O senador Eduardo Girão (Novo), pré-candidato ao Governo do Ceará, elevou o tom das críticas contra alas da direita cearense que têm sinalizado proximidade com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB). Durante o Encontro Nacional do Partido Novo, realizado recentemente em São Paulo, Girão classificou a articulação como um erro estratégico que pode custar caro ao campo conservador nas próximas eleições presidenciais.

Em seu discurso aos correligionários, o senador não poupou palavras ao avaliar a movimentação política no estado. “Tem uma turma que se diz de direita apoiando alguém que vai ser uma cobra para nos picar em 2030”, disparou Girão.

Para o pré-candidato do Novo, a aproximação de Ciro Gomes com figuras da direita local não é uma mudança ideológica do ex-ministro, mas um movimento pragmático. Segundo Girão, Ciro, a quem classificou como representante da “esquerda raiz”, estaria utilizando o cenário eleitoral cearense apenas como um “trampolim” para viabilizar uma nova candidatura à Presidência da República daqui a quatro anos.

As críticas de Eduardo Girão tiveram destinatários claros. O parlamentar direcionou seus questionamentos à atual cúpula do Partido Liberal (PL) no Ceará. O recado dado pelo senador está o deputado federal André Fernandes, presidente estadual da legenda, e seu pai, o pastor Alcides Fernandes, que é pré-candidato ao Senado pelo partido e parlamentares da sigla.

A fala de Girão expõe a fragmentação do campo de oposição no Ceará. Enquanto parte da direita busca alianças sob o argumento de derrotar grupos hegemônicos no estado, o senador insiste que o apoio a Ciro Gomes contradiz os princípios do conservadorismo e fortalece um adversário histórico do projeto de direita no país.

A declaração de Girão coloca mais lenha na fogueira em um momento em que as articulações para as próximas eleições começam a ganhar tração. A postura de isolamento crítico adotada pelo senador reforça a estratégia do Partido Novo de se apresentar como a única alternativa “autêntica” de direita, buscando se distanciar de alianças pragmáticas que, segundo ele, podem comprometer a identidade do movimento a longo prazo.

Até o momento, as lideranças do PL citadas pelo senador não responderam formalmente aos comentários feitos em São Paulo. O debate sobre a viabilidade dessas alianças deve seguir como um dos temas centrais na corrida eleitoral cearense.

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