O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, trouxe a público a dinâmica interna do partido sobre o gerenciamento das emendas parlamentares do deputado federal Tiririca. Em entrevista à CNN Brasil, o dirigente afirmou que o partido assume o controle sobre o destino dos recursos orçamentários do parlamentar, sob o argumento de que ele não possui bases municipais consolidadas.
De acordo com o cacique do PL, o arranjo foi firmado logo após a primeira eleição de Tiririca. A justificativa central é que, como o deputado foi eleito com base em “voto de opinião” — e não por meio de articulações com prefeitos —, ele não teria a rede de contatos necessária para distribuir os recursos de forma estratégica.
Valdemar detalhou que o procedimento foi pactuado para fortalecer a atuação da sigla nos municípios. “O Tiririca não tem contato com o prefeito. Veja bem, então eu acertei com o Tiririca quando ele foi eleito: ‘Tiririca, você deixa essas emendas pra gente atender os municípios nossos'”, relatou o presidente do PL.
O dirigente garantiu que o parlamentar sempre cumpriu o combinado: “Ele fazia isso direitinho, dividia as emendas dele conforme nossos pleitos. O Tiririca não tem voto de prefeito, ele tem voto de opinião. Então eu usava as emendas dele e sugeria que ele desse para tal lugar, ele sempre fez isso”.
A declaração lança luz sobre o funcionamento das verbas parlamentares, frequentemente utilizadas como moeda de troca política e ferramenta de fortalecimento de bases eleitorais.
Vale ressaltar que a trajetória política de Tiririca está ligada ao estado de São Paulo, onde obteve suas votações expressivas que o levaram ao Congresso Nacional. Atualmente, contudo, o domicílio eleitoral do deputado é o estado do Ceará. A fala de Costa Neto expõe a prática de controle partidário sobre o orçamento impositivo, uma realidade comum em diversas legendas, mas raramente discutida de forma tão explícita por dirigentes partidários.









