O Pré-Carnaval de Fortaleza transformou-se, nos últimos anos, em um gigante do calendário turístico nacional. Durante os fins de semana que antecedem o ciclo carnavalesco, o Centro da cidade pulsa com uma multidão que busca extravasar a alegria e renovar as energias. No entanto, em meio aos grandes palcos oficiais, a resistência da cultura popular se faz presente em redutos tradicionais, como o icônico Raimundo dos Queijos.
Localizado no coração do Centro, o espaço de Raimundo continua sendo um dos pontos de encontro mais disputados da cidade, mesmo operando de forma independente. Este ano, o proprietário reforça que a festa acontece sem o suporte financeiro ou logístico da gestão municipal.
“Aqui é por minha conta. Não é Prefeitura de Fortaleza. Mas se eu fizer, tanto no domingo quanto em outros dias, é desse jeito aqui”, afirma Raimundo, apontando para a multidão que lota os arredores de seu estabelecimento.
De bar de amigos a ponto turístico
O que começou como um pequeno balcão para venda de queijos e petiscos, frequentado por um círculo restrito de amigos, tornou-se um fenômeno de público. Raimundo observa que, embora o movimento seja constante durante o ano todo, o período de Pré-Carnaval potencializa a ocupação das ruas do entorno.
“Graças a Deus, recebemos toda Fortaleza aqui. São muitas amizades boas. Antes do Carnaval o movimento já é grande, mas agora está desse jeito que você vê: lotado”, comemora o comerciante, que se orgulha de manter a tradição viva com recursos próprios.
A situação de Raimundo dos Queijos levanta um debate comum no planejamento urbano de grandes eventos: o equilíbrio entre o apoio aos grandes blocos e o fomento aos pequenos polos tradicionais que já possuem público cativo. Para os foliões, o local oferece uma experiência mais autêntica e próxima da boemia clássica de Fortaleza, diferenciando-se dos grandes circuitos montados na Praia de Iracema.
Mesmo com a falta de apoio oficial citada pelo proprietário, a energia do local prova que o Pré-Carnaval de Fortaleza é feito de múltiplas faces — da estrutura dos grandes shows à simplicidade resistente das calçadas do Centro.









