Revelação

MPCE deflagra operação contra desvio de recursos em obras de infraestrutura em Pacoti

Investigação aponta esquema de notas fiscais "frias" na locação de máquinas; desvios somam mais de R$ 156 mil e um empresário está foragido

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), por intermédio da Promotoria de Justiça de Pacoti, deflagrou nesta sexta-feira (13/03) uma operação para desarticular um suposto esquema de corrupção na Prefeitura de Pacoti. A investigação apura o desvio de recursos públicos destinados a serviços de infraestrutura e terraplanagem, envolvendo ex-agentes públicos e empresários.
Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão nos municípios de Canindé, Eusébio, Itapiúna e Maranguape. A ação contou com o apoio do Departamento Técnico Operacional (DTO) da Polícia Civil do Ceará.
Segundo o MPCE, o modus operandi do grupo consistia na utilização de uma empresa de locação para a emissão de notas fiscais “frias” — ou seja, documentos emitidos sem a efetiva prestação dos serviços de máquinas para a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Defesa Civil.
A dinâmica dos crimes funcionava da seguinte forma:

  1. A prefeitura realizava o pagamento pelos serviços fictícios.
  2. Os valores eram transferidos para contas de terceiros sob orientação de um ex-agente público.
  3. Um empresário, apontado como operador financeiro, coordenava o fluxo do capital desviado.
    Até o momento, o montante identificado de prejuízo ao erário chega a R$ 156.000,91.
    Medidas Judiciais e Foragido
    A Justiça deferiu o pedido de prisão temporária contra o empresário apontado como operador central do esquema, que não foi localizado e é considerado foragido. Além disso, foram determinadas as seguintes medidas:
  • Indisponibilidade e bloqueio de bens e valores dos investigados.
  • Quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático, permitindo o rastreio detalhado do fluxo financeiro.
  • Apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos para análise pericial.

As suspeitas surgiram após a análise de dados de um celular apreendido em uma operação anterior. O aparelho continha diálogos comprometedores que revelaram a ligação entre os agentes públicos e o setor privado.
Os envolvidos podem responder pelos crimes de peculato, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de capitais. Por determinação judicial, o processo tramita em segredo de justiça.

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