A dinâmica parlamentar do deputado estadual Carmelo Neto (PL) tornou-se o centro de discussões nos bastidores da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). Conhecido por sua forte presença digital, o parlamentar vem sendo questionado por colegas de parlamento — inclusive da ala oposicionista — devido à sua constante ausência nas sessões presenciais e ao distanciamento das articulações internas da Casa.
Desde a pandemia de COVID-19, a Alece mantém um sistema híbrido de participação. No entanto, uma determinação da Mesa Diretora estabelece que as quartas-feiras exigem a presença física dos deputados no plenário. Segundo relatos de parlamentares e servidores, Carmelo Neto raramente é visto nas sessões e, quando comparece, costuma deixar o recinto antes do encerramento dos trabalhos.
O deputado justifica o comportamento afirmando que seu mandato é exercido nas ruas. De acordo com sua assessoria e publicações próprias, o foco tem sido viajar por municípios cearenses para fiscalizar gestões municipais.
A estratégia de fiscalização, contudo, atravessou a fronteira dos aliados. Na última semana, o clima pesou após Carmelo desferir ataques à gestão da prefeita de Apuiarés, Ana Rufino. O episódio gerou desconforto imediato: a gestora é irmã do deputado Cláudio Pinho (PSDB), um dos principais nomes da oposição e, teoricamente, aliado de Carmelo.
Pinho não escondeu a insatisfação com a postura do colega, que teria ignorado o diálogo institucional antes da exposição pública da base de um aliado.
“O trabalho parlamentar exige equilíbrio entre a fiscalização e a convivência política. Quando o ataque atinge quem caminha ao seu lado, o grupo enfraquece”, confidenciou um interlocutor da oposição sob reserva.
Além das faltas em plenário, Carmelo também tem se ausentado do tradicional “Café da Oposição”. O encontro, que ocorre semanalmente às terças-feiras nos gabinetes, é o momento em que a bancada define estratégias de votação e discursos conjuntos.
A ausência sistemática nesses encontros é lida por analistas como um sinal de que o deputado prioriza um “vôo solo” focado em seu engajamento nas redes sociais, em detrimento da construção de uma frente unificada contra o governo estadual. Para os aliados, a postura pode render cliques, mas sacrifica a força política necessária para aprovar projetos ou barrar medidas no legislativo.









