Proposta

Domingos Neto defende voto distrital misto como antídoto para a distância entre eleitor e Congresso

O sistema eleitoral brasileiro voltou ao centro do debate internacional nesta terça-feira (12). Durante o LIDE Brazil Investment Forum 2026, o deputado federal Domingos Neto defendeu a implementação do voto distrital misto no Brasil a partir de 2030. Para o parlamentar, a mudança é fundamental para elevar o nível de accountability (prestação de contas) e legitimar a atuação do Congresso Nacional perante a sociedade.

A tese central apresentada por Domingos Neto foca na personalização da representação. No modelo atual (proporcional), muitos eleitores não se recordam em quem votaram ou sentem que seu representante atua longe de sua realidade geográfica.

“O eleitor vai conhecer o seu candidato e o que perdeu vai ser cobrado na rua, na esquina”, destacou o deputado, enfatizando que o controle social se torna muito mais rígido quando o parlamentar possui um “território” definido.

Diferente do sistema atual, o modelo distrital misto combina duas formas de eleição:

Voto no distrito : O estado é dividido em regiões (distritos). Cada partido lança um nome e o mais votado vence.

Voto na legenda: O eleitor vota no partido, que mantém uma lista de candidatos para garantir a representatividade ideológica e partidária.

O deputado usou o exemplo de São Paulo: dos 70 assentos atuais na Câmara Federal, 35 seriam preenchidos por distritos específicos e os outros 35 pela lista partidária.

A defesa da proposta em um fórum de investimentos não é por acaso. Para os investidores reunidos em Nova York, a estabilidade política e a legitimidade das instituições são ativos econômicos. Um Congresso com maior aprovação popular e parlamentares mais “cobráveis” tende a gerar um ambiente de governabilidade mais previsível, reduzindo o chamado “Risco Brasil”.

A proposta discutida por Domingos Neto prevê uma transição gradual, com vigência plena apenas para as eleições de 2030, permitindo que partidos e sociedade se adaptem à nova dinâmica das urnas.

WhatsApp
Facebook
X
Telegram