Corrupção

PF prende Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vocaro em nova fase da Operação Compliance Zero

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira, a 6ª fase da Operação Compliance Zero, resultando na prisão preventiva do empresário Henrique Vorcaro. A ação, realizada em Belo Horizonte, mira uma complexa estrutura de crimes financeiros e a atuação de uma suposta milícia privada que servia aos interesses da família Vorcaro e do Banco Master.

As investigações apontam que Henrique Vorcaro integrava um grupo restrito apelidado de “A Turma”. De acordo com os autos, essa organização funcionava como um braço armado e de inteligência, utilizando métodos de coerção e ameaça para intimidar adversários comerciais e proteger o patrimônio de seu filho, Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Além das táticas de intimidação, a PF apura uma extensa lista de delitos, incluindo: organização criminosa e lavagem de dinheiro; corrupção ativa e passiva; invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.
Movimentações de R$ 1 Bilhão
Um dos pilares da acusação reside em relatórios de inteligência financeira do Coaf.

Os documentos revelam que a Multipar, empresa gerida por Henrique, movimentou cifras superiores a R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025. O montante estaria diretamente ligado a contas pessoais e empresariais de Daniel Vorcaro, levantando suspeitas de um esquema de blindagem patrimonial e lavagem de capitais.
Daniel Vorcaro já está detido desde março de 2026 e, conforme apurado, mantém tratativas com a Procuradoria-Geral da República (PGR) para um possível acordo de delação premiada.

A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e abrangeu alvos em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão.
Um dos pontos mais sensíveis da investigação é o envolvimento de servidores públicos. Uma delegada da Polícia Federal foi afastada de suas funções, suspeita de vazar informações sigilosas e agir em conluio com a organização criminosa.
Em nota oficial, os advogados dos envolvidos afirmam que as prisões são “desnecessárias e carecem de fundamentação jurídica”, reiterando que todas as movimentações financeiras da Multipar e da família Vorcaro são lícitas e devidamente declaradas. O processo corre em segredo de Justiça em determinadas instâncias.

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