Divergências

Prefeito de Sobral, Oscar Rodrigues, demite vereador e esposa de cargos por não votar em seus filhos

O cenário político em Sobral registrou um novo episódio de atrito nesta semana. O vereador Daniel Romão, presidente municipal do Republicanos, deixou o cargo que ocupava na Prefeitura de Sobral após declarar publicamente seu apoio à pré-candidatura de Michel Lins a deputado federal. A esposa do parlamentar, que atuava em um posto de saúde do município, também foi exonerada de suas funções de forma sumária.
De acordo com o relato do vereador, o desligamento ocorreu logo após ele divergir da orientação do Poder Executivo municipal, que pressionava por apoio ao projeto político voltado à candidatura de Moses Rodrigues (União Brasil) para a Câmara dos Federais.
A demissão foi comunicada de maneira direta aos servidores por meio de mensagens enviadas pelo setor de Recursos Humanos (RH) das respectivas secretarias.

Em pronunciamento sobre o caso, Daniel Romão minimizou a perda dos cargos na administração municipal e enfatizou que sua trajetória sempre foi pautada pela independência. O parlamentar recordou seu histórico de oposição ao grupo político liderado pelos Ferreira Gomes e destacou a aliança construída com Michel Lins, vice-presidente estadual do Republicanos.

“O RH da minha secretaria me mandou uma mensagem e também o da minha esposa… Mas assim, cargo é passageiro. Eu não me apego a cargo e nunca me apeguei, até porque eu fui oposição ao Ferreira Gomes”, declarou o vereador.

Romão pontuou que a parceria com Michel Lins foi consolidada em momentos decisivos, ressaltando o respaldo recebido do colega de partido para apoiar a alternância de poder no âmbito municipal, alinhando-se ao grupo político liderado por Oscar Ribeiro em Sobral.

Para o presidente municipal do Republicanos, ceder a pressões políticas em troca de cargos seria uma traição aos princípios que defende e ao eleitorado sobralense. Ele reforçou que a construção de seu grupo político visa o benefício coletivo e não interesses individuais.

“Agora, se uma pessoa que me deu a oportunidade em 2022, eu não pudê-la acompanhar… eu não faço política por interesse, nunca farei. Porque se a gente faz um negócio desse agora, por um cargo, por outro, por uma coisa pessoal, você pode ter certeza que quem sofre é o povo, num projeto coletivo”, concluiu.

A movimentação evidencia a reorganização das forças políticas locais e o acirramento das articulações de bastidores na disputa eleitoral rumo ao parlamento federal, revelando o preço cobrado pela independência partidária na gestão municipal.

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