As investigações em torno do assassinato do soldado da Polícia Militar do Ceará (PMCE) Raphael Sampaio da Silva, 27 anos, ganharam um novo e inusitado capítulo nesta sexta-feira, 14. O advogado responsável pela representação jurídica da policial militar Júlia Natália Girão Gomes — apontada como suspeita de envolvimento no homicídio — foi preso em flagrante após tentar burlar a segurança e entregar um aparelho celular à cliente dentro do presídio militar, localizado no bairro José Bonifácio, na capital cearense.
A tentativa de burlar as normas de segurança da unidade prisional resultou na imediata condução do defensor, aumentando a pressão sobre o núcleo de defesa da investigada. O caso é conduzido sob sigilo de rigorosas apurações pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
A prisão do advogado ocorre dois dias após a Justiça do Ceará decretar a prisão preventiva de Júlia Natália e a prisão temporária de seu marido, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, de 35 anos, durante audiências de custódia. O casal é investigado sob a suspeita de participação direta na morte do soldado Raphael Sampaio, cujo corpo foi encontrado carbonizado dentro de seu próprio veículo na região do Anel Viário, na Grande Fortaleza, na madrugada da última terça-feira, 11.
De acordo com as apurações coordenadas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a versão inicial apresentada pela policial militar — de que teria sido sequestrada e deixada amarrada em uma área de mata após uma suposta abordagem criminosa — foi desmentida por imagens de câmeras de segurança. Os registros mostraram o casal em locais como a escola da filha e uma oficina mecânica nos horários em que a policial alegava estar sob o cativeiro.
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e as autoridades competentes devem se pronunciar nas próximas horas sobre o flagrante envolvendo o defensor no estabelecimento prisional militar, enquanto a Polícia Civil prossegue com as diligências para esgotar todas as linhas de investigação do homicídio.









